Não somos todos magos à nossa maneira, tentando nos erguer acima do peso das nossas falhas?
Enquanto os últimos dias de 2026 escorrem entre nossos dedos como grãos de areia, me pego pensando em uma pergunta simples — que muitos amigos me fizeram: qual é a sua resolução para o ano que vem? É uma pergunta simples que fica ecoando, se desdobrando devagar, revelando camadas de significado não só para mim, mas para todos nós que estamos na soleira de um novo começo.
No fundo, sou um caçador de magia — seja nas páginas de um livro, no brilho de uma tela pixelada ou na imensidão de um céu cheio de estrelas. Daqueles que perdem a noção do tempo em lojas de quadrinhos, se emocionam com personagens pixelados de videogame e tiram sabedoria de Asimov e Tolkien. Também fui encantado pelo mundo de Harry Potter. Há algo naquele universo — uma centelha de encanto, um toque de sabedoria — que sempre acaba entrando nas minhas reflexões e conversas. Ainda não conheci uma alma que a magia de Harry Potter não tenha tocado. Mesmo hoje, quando passeio por lojas como a Miniso ou a Imaginarium, encontro prateleiras cheias de lembranças daquele mundo encantado, como se a própria magia se recusasse a desaparecer. Décadas podem ter passado desde que as histórias chegaram ao fim, mas elas continuam cativando nossos corações e nos lembrando de que o extraordinário sempre pode ser encontrado dentro do comum.
Para esta reflexão sobre resoluções de Ano Novo, decidi deixar o jovem bruxo dentro de mim assumir o comando. Há algo de poético em buscar orientação numa escola de magia fictícia — um lugar onde o impossível se torna possível e o comum se transforma em extraordinário. Ao pensar no ano que vem, me vi inspirado pelo primeiro feitiço de Harry Potter: Wingardium Leviosa. Um feitiço que desafia a gravidade com uma única frase e um floreio de varinha. Esse feitiço é mais do que uma lição de magia — é uma metáfora para a vida. Não somos todos magos à nossa maneira, tentando nos erguer acima do peso das nossas falhas, tentando não tropeçar nas vestes das nossas próprias imperfeições?
Subir nunca é fácil, porque o mundo está cheio de monstros que querem nos manter no chão. Os monstros do nosso mundo não são como as criaturas míticas de Harry Potter — aranhas gigantes, lobisomens ou Dementadores espectrais. Não, os nossos monstros são muito mais insidiosos. São mentirosos, ladrões, trapaceiros e assassinos. São aqueles que colocam o poder acima da integridade, a riqueza acima da humanidade e a destruição acima da criação. Esses monstros andam entre nós, com os rostos escondidos atrás de máscaras familiares. Sentam à nossa mesa, dividem o nosso pão e se entrelaçam no tecido das nossas vidas. Em silêncio, envenenam nossos corações com suas sombras, sugando a luz dos espaços que ocupam. Eu também encontrei esses monstros. Ri com eles em festas, recebi-os na minha casa e confiei a eles pedaços da minha alma. Levou tempo — às vezes tempo demais — para eu enxergar a escuridão escondida atrás de suas máscaras tão bem construídas. Talvez tenha sido a minha tendência a confiar, a acreditar na bondade dos outros, que me cegou.
Neste ano, acredito que o feitiço que vale a pena dominar é a elevação — a arte de subir, de nos tornarmos uma versão melhor de nós mesmos.
Neste ano, acredito que o feitiço que vale a pena dominar é a elevação — a arte de subir, de nos tornarmos uma versão melhor de nós mesmos, como se cada passo à frente fosse mais uma fase vencida na grande jornada da vida. Mas como subimos? Não com grandes gestos que iluminam o mundo por um instante e se apagam com a mesma rapidez, mas com as escolhas silenciosas e deliberadas que fazemos todos os dias. São esses passos, simples mas profundos, que transformam a nossa jornada em uma jornada de crescimento e luz.
Como alguém que vê a vida pela lente da praticidade, vou tornar essa jornada mais fácil de percorrer para você. Aqui está o meu roteiro para se elevar:
- Não seja um monstro: A menos que seu coração já tenha sido consumido pela escuridão — nesse caso, esta resolução não é para você. A elevação começa com a escolha de não fazer mal aos outros e de agir com gentileza, integridade e compaixão.
- Reconheça os monstros da sua vida: O poder de subir começa com a consciência. Identifique os monstros da sua vida e tenha a coragem de se afastar da influência deles. A escuridão deles não é sua para carregar.
- Cerque-se de pessoas boas: A bondade atrai bondade, assim como a escuridão procura os seus iguais. Quando conhecer alguém pela primeira vez, pergunte a si mesmo: “Essa é uma pessoa boa?” Confie nos seus instintos. Muitas vezes eles reconhecem o que a mente é educada demais para admitir.
- Proteja o seu círculo de luz: Seus amigos, suas comunidades, são o seu santuário. São eles que levantam você quando tropeça, que iluminam seu caminho quando o mundo parece escuro. Guarde esse círculo com unhas e dentes, porque ele é sagrado.
- Não fique se gabando: As pessoas enxergam através do véu de falsidade e insegurança que costuma acompanhar a autopromoção, especialmente nas redes sociais. Você pode querer impressionar, mas o resultado costuma ser o oposto — faz os outros se sentirem pior e, por consequência, gostarem menos de você. A elevação vem da humildade, não da busca por aplausos.
- Celebre as conquistas dos outros: Ao celebrar as vitórias de quem está ao seu redor, você amplia a luz do mundo. A inveja apaga o espírito; a alegria compartilhada o expande.
- Escolha o perdão em vez do ressentimento: O ressentimento acorrenta você ao passado, enquanto o perdão liberta. Não significa esquecer o mal que fizeram a você, mas tirar dele o poder de manter você no chão.
- Seja gentil com desconhecidos: Um simples gesto de gentileza — um sorriso, uma palavra amável, um momento de compreensão — pode se espalhar em ondas, elevando não só os outros, mas você também.
- Enfrente seus medos com coragem: O medo é a gravidade que nos prende ao chão, mas a coragem são as asas que nos levantam. Cada vez que você enfrenta um medo, enfraquece o domínio dele sobre a sua alma.
- Persiga suas paixões com propósito: Paixão sem propósito é uma chama que tremula e se apaga. Descubra o que acende a sua alma e deixe que isso guie você rumo ao sentido e à realização.
A elevação não é um destino, mas uma jornada. A elevação é uma série de escolhas feitas a cada dia. É o desabrochar suave da alma, subindo centímetro a centímetro, até nos vermos planando acima das nuvens da dúvida e da escuridão. Que este seja um ano de esperança e leveza — um ano em que deixemos para trás os medos de ontem e abracemos as infinitas possibilidades do amanhã. Que seja um ano em que subamos, não só por nós mesmos, mas por quem está ao nosso redor, elevando essas pessoas com amor, graça e gentileza. Porque, ao escolher nos elevar — por meio de atos de coragem, generosidade e empatia —, inspiramos os outros a fazer o mesmo. E nessa subida compartilhada está a magia mais profunda de todas: a transformação não só das nossas vidas, mas do mundo.
Juntos somos mais. Somos mais bonitos. Somos mais poderosos. Somos mais mágicos.
Vamos nos elevar juntos. Juntos somos mais. Somos mais bonitos. Somos mais poderosos. Somos mais mágicos.
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